Oh, se o coração dos homens brilhasse como os olhos de Amelie quando segurou o livro em suas mãos, e com muito cuidado abriu-o com seus dedos magros. Amelie o levou para seu quarto e o guardou em seu baú. Embora aos olhos de outros fosse apenas um livro velho, para a menina, ele era muito mais, ele tinha uma alma.
Quando a escuridão já evadia toda a casa e todos estavam em seus devidos aposentos, ela retirou do baú com cheiro de mofo seu mais novo companheiro e com os olhos transbordando curiosidade Amelie folheou o livro até sua ultima pagina escrita e leu algumas palavras tristes demais para uma garotinha de 10 anos.
"Quis gritar, morrer de tanto chorar, arrancar fio por fio do meu cabelo. Eu sentia tanto ódio do que acontecia. Então fechei os olhos e coloquei todos os remédios que havia trazido de uma vez só na boca. Estes desceram queimando pela minha garganta.
Tomei coragem caminhei na direção do lago e escrevi minhas ultimas palavras.
Agora não havia volta..."
Uma lagrima percorrer seu rosto quando fechou o objeto traiçoeiro e soletrou as palavras escritas em sua capa: O diário de Amelie.
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