terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É estranho permanecer viva quando já não se sente mais nada, nem dor, nem amor ou cor. Quando ninguém sente sua falta. Quando você se sente exausta simplesmente pelo fato de ter que acordar. Quando você fala sem querer falar, se levanta sem querer se levantar, se senta sem querer se sentar, fica sem querer ficar, parte sem querer partir, e por ai as coisas vão.
E quando eu tenho que tomar esse tipo de decisão eu sempre decido por ficar deitada, imóvel, inerte, acordo e em seguida mergulho em mais um sono sem sonhos.
É assim, e será até que a morte venha em busca do meu corpo, porque minha alma ela já ceifou há muito tempo. Na verdade eu tenho a sensação de nunca ter tido uma alma de fato, porque às vezes eu sentia meu corpo meio vazio, nada além de ossos, carne, sangue e veias.

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