sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Uma outra manhã solitária - Agosto de 1986 - Terça feira.

Cada parte do meu corpo estava doendo. Eu ainda estava jogada no piso gelado, e meu coração parecia ter sido congelado também. Respirei com dificuldade enquanto observava o chão manchado de sangue. Ele não estava em casa, pois eu não conseguia sentir aquele cheiro nojento. Apoiei meus pequenos braços roxos em uma cadeira, e fiz força pra levantar. Minhas pernas cambalearam, e eu me joguei no chão novamente, como um pedaço velho de lixo. Ouvi um canto feminino, e antes que eu pudesse me esconder embaixo da mesa, mamãe invadia a cozinha com uma sacola de compras nas mãos. Demorou para perceber que eu estava ali, até acompanhar com os olhos o sangue que ainda manchava o chão. Fitou meu rosto, e as compras escaparam de seus braços. Barulho, e mais barulho, latas rolando pelo chão, e mamãe gritando enquanto pegava meu corpo do chão. Eu estava salva.

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