terça-feira, 6 de abril de 2010

Cheiro de morte.

Respirei fundo. Era mais uma vez aquela sensação de déjà vu que ultimamente insistia em me pegar de surpresa e me fazer chorar de uma forma incontrolavelmente estranha.
Meu pulmão foi violentado por um cheiro que me fazia delirar. O cheiro da pessoa que fazia com que eu me contorcesse ali, o doce cheiro do seu hálito misturado com um aroma estranho até hoje - O Aroma da morte. Isso foi o suficiente para me fazer gritar tristemente até minhas cordas vocais serem rompidas. Nunca pensei que seria tão difícil conviver com sua ausência, com a solidão. Expulsei o ar ferozmente do meu organismo, apertei meus lábios um ao outro e me obriguei a parar. Deitei no chão delicadamente afagando meu rosto com meus fios de cabelo e esperando a morte vir me buscar, sentindo meu pulmão implorar por mais um tufo de ar, mas não o ouvi.
Bom, foi mais fácil do que tudo que já imaginei. É simples demais. Seus olhos ardem. Seus músculos ardem. Você tem dificuldades para se lembrar das coisas. E de repente toda sua vida, que agora parece tão distante, toma um fim. Depois de todo a meu trágico e estúpido trajeto por esse mundo onde eu nunca me encaixei com uma perfeição aceitável cheguei a uma conclusão feliz: MORRER NÃO DÓI!

3 comentários:

  1. Não me inspiro em nada de especial, somente em meus sentimentos. Tudo que escrevo pode ser, indiretamente, uma confissão.

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