domingo, 27 de junho de 2010

um distúrbio, um amor, uma morte.

Saí correndo pela porta do restaurante onde o único que talvez fosse capaz de me entender ficou sentado me olhando com os olhos estarralados, ele não entendia o que estava acontecendo, ou talvez ele entendesse, mas não podia acreditar.
Entrei no banheiro onde tinha uma fila, esperei alguns minutos, mas quando vi uma mulher com aparencia cansada e velha sair pela porta do Box empurrei as outras que estavam em minha frente e entrei rapidamente no Box, me ajoelhei de frente á privada e abri minha bolsa onde procurei algum objeto de formato comprido, achei uma caneta e a peguei sem pensar duas vezes. A segurei em minhas mãos e a fitei por alguns minutos enquanto o sentimento de culpa me destruía cada vez mais, enfiei-a bruscamente na boca cutucando minha garganta e fazendo-me vomitar. Quando terminei sentei-me no chão do banheiro e pude ouvir meus soluços misturados com algumas vozes que estavam do outro lado da porta, não quis ouvir mais, não quis ouvir mais nada! Peguei minha bolsa que estava jogada ao meu lado e retirei uma gilete.
Respirei fundo, não queria lembrar que ele ainda me esperava lá fora, eu o amava tanto que seria capaz de morrer ao perdê-lo, e eu sabia que isso aconteceria assim que eu me sentasse naquela mesa. . Eu o amava tanto que queria poder observá-lo de algum lugar. Esse lugar deveria ser o céu. Fechei os olhos e friccionei a gilete com força em meus dois pulsos. Esses queimaram minha alma.
Ainda pude ouvir meu Vithor batendo fortemente na porta do Box, mas agora não havia volta!

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