segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ela gritava na tentativa fracassada de que a dessem ouvidos, pedia socorro, chorava, revirava os olhos em agonia, mas ninguém ligava para a menina em prantos, ninguém a via, ou pelo menos, fingiam não vê-la. A pobrezinha não desistia, continuava a atravessar a multidão incessível em busca de alguém, qualquer corpo, qualquer raça, cor, sexo. As mulheres bem vestidas simplesmente ignoravam seus tarjes rasgados, sua calça em fiapos, sua jaqueta de couro, seu tênis velho e lamacento. De hora em hora ela segurava nos braços, cobertos por paletós, de homens importantes e eles meramente a jogavam para longe. Ninguém queria por perto a menininha de vestes inadequadas chamada Esperança.

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